OS PRIMEIROS ERROS DE UM ADVOGADO INICIANTE

Cinco anos depois, você se formou na faculdade de direito. Diploma na mão, faz a prova da OAB. Passa. Talvez não na primeira tentativa, mas passa.

Carteirinha na mão. Pronto, já pode advogar.

Caso não tenha sido efetivado em seu estágio ou não esteja estudando para algum concurso, fato é que você foi lançado ao mercado de trabalho da advocacia autônoma.

Quando te perguntam sobre a prova da OAB, você, orgulhoso(a), conta que passou. Alguém te pede um cartão de visitas. Você não tem. Passa o Whatsapp.

Os primeiros clientes são geralmente da família ou amigos. Perguntam se você cobra só no final. Você fica sem graça, não sabe nem o que pensar sobre isso. Combina um percentual no final, pois geralmente as primeiras ações são indenizatórias.

Você precisa ir ao forum. Tira cópia do processo, tem despesa com o transporte. Quando volta, não sabe como organizar esse tipo de informação e não lembra se combinou o reembolso com o cliente. Na verdade, você não tem nada assinado: proposta, contrato, nada.Combinou tudo verbalmente ou por mensagem de texto. Para quem olha de fora parece até que você está “quebrando um galho” para um amigo.

Você fica sem graça de cobrar o reembolso de R$ 15,00 e deixa pra lá.

Logo depois alguém pede para você dar uma olhadinha em um contrato de locação. Pede uma reunião. Você não sabe onde marcar. Vai até o café mais perto da casa da pessoa. Então você ouve as demandas, anota tudo. Ela te manda o contrato por email. Você lê, estuda, consulta a legislação e responde as dúvidas do cliente. Uma manhã, rapidinho. Ele agradece. E é isso. Nem um real. Você achou que depois que respondesse a consulta ele iria perguntar quanto custou. Mas ele não perguntou, só agradeceu.

Você fica sem graça e evitando causar um desconforto e deixa pra lá.

Um tempo depois te procuram para uma ação de direito de família. Sem verba condenatória. Te perguntam quando você cobra. Você não tem ideia. Olha a tabela de honorários da OAB. Acha caro. Cobra um salário mínimo na entrada e outro no final.

Acontece de você ter que recorrer. E de novo. E depois de sustentar no julgamento. E depois de despachar. Você começa a ter certeza de que não está valendo a pena.

O processo chega ao final. Casal divorciado, partilha feita (até que eles não tinham quase nada). Hora de fazer a cobrança dos honorários finais. Você manda um e-mail, o cliente responde que não lembra que isso foi combinado e questiona o valor, fala que já tinha pago no início e que não tem dinheiro. Você procura a mensagem de whatsapp onde ele concordou. Não acha.

Ele era amigo da sua amiga, vocês se encontram ocasionalmente. Você fica sem graça e deixa pra lá.

Alguém te pede ajuda numa ação simples em um Juizado Especial Criminal. Seu cliente é a vítima. Não há composição e você tem que apresentar uma queixa-crime. Cobra um valor módico, se esforça pra fazer a peça processual, mas não percebe que a procuração tem requisitos próprios. O processo é extinto.

Você olha para o calendário: já se passaram 9 meses da sua formatura. Até que você trabalhou bastante nesses meses. Ganhou quase nada. Se sentiu desvalorizado. Sentiu que não aprendeu nada na faculdade. Sentiu que faltou mais experiência no estágio. Sentiu que tem muito mais coisa por trás da advocacia privada autônoma que você não tinha nem ideia. Enfim, a experiência até aqui é frustrante.

Achava que já estaria programando as férias, montando escritório e contratando estagiários e uma secretária, mas não está nem perto disso.

 

Não está nem se sentindo um profissional ainda.

Seu subconsciente começa a encontrar desculpas como demora do judiciário, desvalorização da profissão, da grande quantidade de advogados no mercado, do alto preço da anuidade da OAB, do certificado digital e falta de reconhecimento, dentre tantas outras.

Aí você desiste e começa a mandar currículo. E começa a cometer erros novos que podemos conversar mais depois.

Identificou os primeiros erros cometidos pelo(a) nosso advogado(a) fictício (#sqn), acima?

Alguns são mais fáceis de identificar, outros nem tanto, pois depende de como pretende conduzir seu relacionamento com os clientes e sua atividade.

Fato é que não é mole. Na verdade é bem difícil. A advocacia ainda é muito mal vista na nossa sociedade e já foi tempo que ser advogado gerava alguma presunção de credibilidade e inteligência.

Também é verdade que alguns colegas não contribuem para a imagem da categoria praticando irregularidades e ajudando clientes nas suas ilegalidades. A OAB está cheia de processos disciplinares e representação de clientes contra seus ex-patrono(a)s e não é à toa – fora os que sofrem e não fazem reclamação formal.

Muitos desistem no meio do caminho e os que persistem com sabedoria certamente alcançam o sucesso.

 

E a resposta de como chegar ao sucesso é: trabalho, inteligência e persistência.

 

Se identificou ou identificou alguém? Ligue o alerta.

 

Aqui busco conversar de forma transparente sobre essas dificuldades e compartilhar os aprendizados dos últimos 10 anos de advocacia que vivi.

 

Tomara que tenha incomodado, a ideia é essa mesmo. Até a próxima!

 

Se quiser me manda um email para contato@cmente.com.br , quero saber o que você pensa.

Sócia na Ribeiro da Luz Advogados Fundadora da CMENTE Incubadora & Coworking de Advogad@s

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